sábado, 21 de agosto de 2010

Que pena eu não saber pintar

António Mega Ferreira confessa na sua habitual crónica, (Notícias Sábado'239 de 7 de Agosto de 2010), a sua incapacidade de traduzir em imagens gráficas o que vê e imagina.

'É uma pena, mas não tenho qualquer espécie de jeito para desenhar, pintar ou, mesmo, para fotografar" - diz ele.
'A inteligência do traço, a sensibilidade cromática, a intuição dos volumes ou, numa só palavra, a habilidade é-me estranha. Na primeira aula de desenho no liceu Pedro Nunes, em 1959, pediram-me que desenhasse o que me apetecesse: saiu um barco , tosco e achatado, pintado de vermelho e verde. Estão a ver...' -

O Autor explica como nasceu o desejo de pintar: 'tudo começou com a necessidade que sentia de registar certos apontamentos do muito que ia vendo e da esperança de poder vir a legar à posteridade (essa tentação demoníaca) uns cadernos de trabalho onde pequenos esquissos, discretas aguarelas, umas aguadas subtis completassem a escrita fragmentária, as citações mais amadas, os aforismos elegantes. A motivação decisiva veio depois de ter visitado longamente a casa-museu de George Sand em Paris, onde se mostram múltiplos exemplos do evidente talento gráfico e pictórico da mulher que amou Musset e Chopin '.

Mas, depois de várias tentativas, sem êxito, assumiu que não seria capaz de realizar o seu sonho.

Este desabafo do escritor encorajou-me a confessar o motivo que conduziu á criação deste espaço: o gosto pelo Desenho e Pintura, a vontade de registar acontecimentos nessa área, e o interesse em abordar a influência de determinadas manifestações artísticas no campo da literatura e vice-versa.
Dentro dessa linha, seria importante falar da vida de certo pintor, obras de arte e repercussão que teve em determinada localidade, instituição ou grupo social; abordar a importância de certa exposição de pintura e lançamento de um livro, ambos alusivos a um tema candente e actual; e, mesmo, quem sabe, [aviso que estou a entrar no campo do sonho] dar corpo ao secreto desejo de dedicar algum tempo ao acto de criação, no campo do Desenho, disciplina para a qual o professor reconheceu que 'tinha algum jeito'.
Mas, neste último capítulo, devo desde já acrescentar que, manda a previdência, que me mantenha um ser sonhador, sem pressa de passar à prática, a fim de que não me aconteça o mesmo que ao Escritor.
Devo limitar-me à transposição das ideias para o papel, através da palavra escrita, como acontece no caso concreto deste humilde texto (não deixa de ser uma forma tentada de 'claro desenho' duma ideia, dum projecto...?!).
Espero que seja inteligível.
Não sei se o consigo. Eterna dúvida, podem crer!

Obrigado AMF! Pela 'Espuma das coisas' *

*nome da coluna regular no "NS"



Paula Rêgo - 1

A pintora portuguesa Paula Rêgo foi uma entre as dezenas de pessoas ontem homenageadas pela rainha Isabel II de Inglaterra a propósito das comemorações do seu aniversário. Paula Rêgo recebeu a Ordem do Império Britânico pela sua contribuição para as artes. - notícia do Público.Domingo 13 Junho 2010.

"A casa encheu-se de gente, e mais gente, e mais gente.
Toda essa gente obedecia aos quadros. Subjugada,
olhava-os como se olham as imagens nas igrejas antigas."

As palavras constituem um excerto da crónica do dia 3/10/2009 do colunista regular do "Actual"semanal de José Manuel dos Santos A festa da inauguração da Casa das Histórias, em Cascais, mereceu as palavras referenciadas em epígrafe.
Paula Rêgo, pintora que admiro.
Muito me orgulhou, quando num belo dia, há vários anos, no Bar da National Galery, em Londres, vi com meus olhos, a ilustração da parede com desenhos da sua autoria.
Nunca mais esquecerei o orgulho que senti de ser português num país estrangeiro.
Voltei a Londres, na última Páscoa, e lá estavam os seus desenhos.
Sem palavras.