segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Poesia pura

“Segundo Walter Pater toda a Arte aspira a alcançar o estatuto de Música.

(…) Na aspiração de toda a arte à condição de Música desempenha um papel crucial a percepção – mesmo semiconsciente – de que na verdade todo o mundo é Som e de que a constituição última da matéria é a vibração.

M. S. LOURENÇO,
In Os Degraus do Parnaso,
edição Assírio & Alvim, 2002

domingo, 9 de outubro de 2011

O C a d e r n o

1 de Outubro
Apresentação da antologia “Divina Música”, a cargo do Nuno Dempster, que a considerou “um livro da cidade”.
Leitura de poemas.
Concerto Dia Mundial da Música. A peça Mosaic, de João Pedro Oliveira, teve a sua apresentação pública pós - Prémio Franco Evangelisti / Nuova Consonanza, para obras de piano e electrónica em Itália. A pianista Madalena Soveral tocou-a de forma inexcedível.
6 de Outubro.
Prémio. Tomas Tranströmer é o primeiro poeta Nobel do século XXI.

sábado, 14 de maio de 2011

A música

tenho a música dentro ela me habita
quando levanto já ela me espera
quando caminho ela caminha na minha frente
eu sempre estou dançando na minha carne
sempre estou ouvindo um som que a minha alma
sabe que existe apesar da dissonância
da minha vida

Por
Vera Lúcia de Oliveira
(Brasil)
in Divina Música,
Conservatório de Viseu, 2010

terça-feira, 5 de abril de 2011

Ângelo de Sousa

"Quantas vezes, quando pensava no Ângelo, me perguntei a mim mesmo: como foi possível o Ângelo? Como foi possível aquele ser tão fora do comum, tão extraordinário (...)? (...) Porque não tinha ego era um ser livre. Porque era livre - das pessoas mais livres que conheci - era imprevisível: não surgia nunca onde o julgavam apanhar. Porque era imprevisível, tinha a afectividade nascente e poderosa das crianças. A sua potência vital. Por isso da sua obra jorra o júbilo único de existir - como uma cor para uma criança, como um movimento que faz existir uma coisa." São palavras de José Gil, no funeral do pintor, divulgadas pelo próprio autor no jornal Público de 4 de abril de 2011.

terça-feira, 29 de março de 2011

Souto Moura - como a poesia

Souto Moura conquista segundo Pritzker para Portugal. "Praticamente só trabalho lá fora. Estou a ficar cansado e não é razoável. Em Portugal não há emprego, está tudo a emigrar. Temos bons arquitectos e a chamada geração á rasca está mesmo à rasca ..." - disse ao jornalista do Público. Um "trabalho do nosso tempo, mas com ecos das tradições arquitectónicas". Edifícios que "na sua aparente simplicidade formal" tecem "complexas referências ás características da região, da paisagem, do local e da mais vasta história da arquitectura" - é assim que o júri do Prémio Pritzker descreve a arquitectura de Souto Moura. E continua: "(...) a obra de Souto Moura não é óbvia, frívola, nem pitoresca. Antes, é uma arquitectura repleta de inteligência e de seriedade que, tal como a poesia, comunica com emoção com quem dedica tempo a apreciá-la". O prémio é de 100 mil dólarfes e será entregue em Junho de 2011. Fabuloso. Nada melhor do que esta notícia, para nos fazer esquecer temporariamente a crise em que vivemos. Souto Moura vê o seu nome incluído numa lista em que Álvaro Siza já figura desde 1992. Dos inúmeros projectos que concebeu, destaco a remodelação e valorização do Museu Grão Vasco, Viseu (1993-2004), Museu Casa das Histórias Paula Rego, Cascais (2005-2009) e Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, Bragança (2004/2008). Discípulo de Siza Vieira, em cujo atelier iniciou a sua carreira. O mestre disse sobre ele: "(...) a sua obra é uma originalidade onde se sente o passado, não é uma superficialidade de fazer diferente. É uma arquitectura que tem passado e anúncios de futuro". Um orgulho para todos nós! E um sinal de esperança.