quinta-feira, 30 de agosto de 2012

O quarto vazio






















Tenho de encontrar um vocabulário

preciso para cada um dos aspectos deste

quarto; mas o que irá faltar é

a palavra que te irá substituir, ou

o movimento do teu corpo

a caminho da janela, para a abrir,

deixando entrar, com o sol, a sombra

das árvores para dentro de casa.



A cadeira está ali, inútil,

agora que partiste; mas deixo-a

estar, para o dia em que regresses,

como se o passado fosse o dia

de amanhã, ou a tarde mantivesse

a tua presença, trazendo de volta

o vento que servia de fundo

à música da tua voz.



E fecho as cortinas, para

que a escuridão se faça, e

o perfume das flores se

confunda com o teu.


Nuno Júdice
in blog A a Z
2AGO2006

6 comentários:

  1. Bom chegar aqui e encontrar Nuno Júdice que, para lá de um grande poeta, é uma pessoa doce e admirável.

    Obrigada pela visita, apesar de entrares num dia em que a pressa e o cansaço me deixaram a casa «desarrumada». Grata também pelo reparo.

    Beijo

    ResponderEliminar
  2. Mas, de vez em quando, há que afastar as cortinas e deixar arejar o quarto...

    Bjs

    ResponderEliminar
  3. Obrigada pela visita e...aguardo uma actualização...

    Bjs

    ResponderEliminar
  4. Há presenças que não se esquecem e fazem falta!

    ResponderEliminar
  5. Bom reencontrar Nuno Júdice! Um dos meus poetas d'alma!

    A expressão da melancolia que se faz pressentir em cada gesto que se suspende...

    Abraço,


    ResponderEliminar
  6. Meu amigo até 2013!
    Desejo-lhe o MELHOR para si e para os seus.


    Beijinho

    ResponderEliminar