terça-feira, 29 de março de 2011

Souto Moura - como a poesia

Souto Moura conquista segundo Pritzker para Portugal. "Praticamente só trabalho lá fora. Estou a ficar cansado e não é razoável. Em Portugal não há emprego, está tudo a emigrar. Temos bons arquitectos e a chamada geração á rasca está mesmo à rasca ..." - disse ao jornalista do Público. Um "trabalho do nosso tempo, mas com ecos das tradições arquitectónicas". Edifícios que "na sua aparente simplicidade formal" tecem "complexas referências ás características da região, da paisagem, do local e da mais vasta história da arquitectura" - é assim que o júri do Prémio Pritzker descreve a arquitectura de Souto Moura. E continua: "(...) a obra de Souto Moura não é óbvia, frívola, nem pitoresca. Antes, é uma arquitectura repleta de inteligência e de seriedade que, tal como a poesia, comunica com emoção com quem dedica tempo a apreciá-la". O prémio é de 100 mil dólarfes e será entregue em Junho de 2011. Fabuloso. Nada melhor do que esta notícia, para nos fazer esquecer temporariamente a crise em que vivemos. Souto Moura vê o seu nome incluído numa lista em que Álvaro Siza já figura desde 1992. Dos inúmeros projectos que concebeu, destaco a remodelação e valorização do Museu Grão Vasco, Viseu (1993-2004), Museu Casa das Histórias Paula Rego, Cascais (2005-2009) e Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, Bragança (2004/2008). Discípulo de Siza Vieira, em cujo atelier iniciou a sua carreira. O mestre disse sobre ele: "(...) a sua obra é uma originalidade onde se sente o passado, não é uma superficialidade de fazer diferente. É uma arquitectura que tem passado e anúncios de futuro". Um orgulho para todos nós! E um sinal de esperança.